31 de mai. de 2009

Passagem das Horas

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
(...)
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
(...)
Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.
Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.
Estou no caminho de todos e esbarram comigo.
(...)
Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
(...)
Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Uma razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma coisa vinda diretamente da natureza para mim.
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender (...).
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
(...)
Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
(...)


Álvaro de Campos (Pessoa)

6 de abr. de 2009

É PROIBIDO FUMAR!!!!

Mensagens sem respostas? "Maus tratos"? "Abandono"? "Grosserias" gratuitas?

“Ixe”!! Está parecendo aquelas reportagens “de 3ª” daqueles programas “de 4ª”!!!! hehehe

O fato é que estou realmente sem falar com ninguém!!
Infelizmente, é assim mesmo, sempre que paro de fumar, na primeira semana é bem punk!
A tolerância que já não é lá essas coisas está muito abaixo de zero!
Portanto, não é nada pessoal, não estou chateada, não estou arrasada, não estou nada! (quer dizer, até estou, mas não seria motivo para tamanho drama).
Estou bem, I Will Survive!!! E buscando está melhor.

“(...)me cansei de lero-lero, da licença mais eu vou sair do sério, quero mais saúde, me cansei de escutar opiniões de como ter um mundo melhor, mas enquanto estou viva cheia de graça(...)”

Para os “vida saudável” e “diurnos”; vou tentar retornar aos poucos meus costumes de acordar antes do sol, ir a praia e ao rio pela manhã, voltar a andar de bicicleta, fazer umas trilhas, nadar um pouco, voltar a correr (bom, isso se o joelho agüentar!) – aahhhh!!! Falando em joelho, quem está com minha joelheira articulada????!!

Para os “sedentários” e “baladeiros”; acho que me afastarei das noites por um bom tempo, com exceção dos shows dos “Mizeravão” (daquele pessoal que já comentei com vários de vocês, e que vale a pena conferir!), fora isso, programas noturnos estou fora! Ah, se bem que se houver algum conserto de música clássica no TCA, estou aberta a convites.

Para os “bons de garfo”; Help me!!! Please!!!! Preciso engordar 4 quilos. Mas, lembrem-se de meu fígado depois das 2 hepatites! Não rola aquelas dietas com gordura, certo?!

Verduras e frutas?! Essa é minha área, mas não engorda nada...

Massa?! Estou dentro!

Frutos do mar?! Muito dentro!

Comidas mexicanas, bolivianas, japonesas, chinesas, tailandesas... Super dentro, mas $uper fora! Se é que me entendem...

Guloseimas? Só salgados, com exceção de chocolate, é claro!

Ai......... como estou precisando de um chocolatinho agora! Sniff! Sniff!

Bom, antes de começar a quebrar as teclas do computador, me despeço de todos.

Amo vocês!


C.

30 de mar. de 2009

Ufa!!

Se não bastasse a vida louca que me leva de um lado para o outro, com idéias e execuções das mais diversas áreas, caiu nas minhas mãos, um trabalho de edição do Informativo do Loteamento que “me escondo”. Retificando, edição e parte da redação. Ai, ai, ai... O que será? Que será??? O lançamento da 1ª edição está previsto para maio. Donde se conclui que, estarei louca com tanto trabalho!! Jardim, ateliê (a zona), encomendas, informativo, mais o cargo de secretária desta associação, mais cargo de mãe, de filha, de mulher...... Ufa!! Já viu, né?! Eu, só amanhã!!! hehehe
Quando obtiver a data do lançamento, colocarei aqui.
Nada mais havendo a acrescentar, fico por aqui!

“Por hoje é só pessoal”!!

27 de mar. de 2009

Deixando para trás as trevas da caverna....

Imagine um grupo de pessoas que habitam o interior de uma caverna subterrânea. Elas estão de costas para a entrada da caverna e acorrentadas no pescoço e nos pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras bruxuleantes na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”. E como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe.

Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. O que você acha que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz. Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passavam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede.

Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe. Por fim, acabam matando-o.


(Extraído do livro, O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder - Capítulo 9 - Platão - Alegoria da Caverna)

25 de mar. de 2009

Aposto

Aposto no que vai
tangido pela correnteza,
e sem mais certeza.
Não chegará mais depressa,
mas não chegará tarde.
Aposto em suas mãos, em
sua ausência de vontade:
seus pés não chegarão cedo,
mas seu coração não chegará tarde.

(Noite contra Noite - Telmo Padilha)

Finale

Quando tudo for silêncio
eu ouvirei todos os ruídos.

Quando nada mais restar
encontrarás em mim o lugar.

Quando a noite vier
definitiva sobre seus olhos

eu estarei à tua espera
no caminho, e te levarei comigo.

(Noite contra Noite - Telmo Padilha)

Não te culpo

Não te culpo
se ainda desconheces
o que sobre ti tenho escrito:
também eu ainda ignoro o segredo
das grandes tragédias.
Equiparamo-nos a partir
da mesma comédia.
Mas se disso estou certo,
também é certo que um dia
nos descobriremos,
e juntos nos leremos
em silêncio e respeitosamente.


(Noite contra Noite - Telmo Padilha)

22 de mar. de 2009

E por falar em saudade...

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.


Vinícius de Moraes

21 de mar. de 2009

Cré com Dé!!!!

Estava eu, aqui com os meus botões, pensando e sentindo o tempo...

Há anos, trabalho com minha amiga, a enxada. E, me perguntei; "a enxada está mais pesada, ou estou ficando velha?"

Cá entre nós, a enxada não engorda.

Velha? Eu? Ridículo! É, é ridículo, mas nem tanto.

O sol está mais forte, o corpo sente de um dia para o outro a leve mudança do tempo. Me dei conta (mais uma vez) de que a velhice não se trata somente da idade, mas com o que fazemos com nosso corpo (sem contar a mente).

Xiiiii.... cigarro nos pulmões, quilos e quilos que desaparecem a cada mês, a água que já não é mais a mesma (puro cloro! Écaaa!!), a tênue camada de ozônio (ainda existe isso?) que transforma o belo e velho sol em inimigo mortal...

Meus joelhos (ainda os tenho!) pós Jiu-Jitsu já quase não me agüentam; minhas costas, ai, ai, ai, cultivando plantinhas, arrastando pesos 2, 3, 4 vezes mais pesados do que eu (um dia tenho que me conscientizar de que não sou a Formiga Atômica!), também não está lá essas coisas...; dedos quebrados; ligamentos “desligados”, pele torrada pelo sol causticante...

Ufff! Entrei na fase do “Condor” antes do tempo. Que saco!

Porque utilizamos toda a vitalidade que temos de uma só vez?

Dos 15 aos 30, só de mudanças que fiz! (19!!)...

Arrumei, desarrumei, empacotei, carreguei, descarreguei....

Terrenos, hortas, jardins, plantações e mais plantações...

Construções, demolições, telhas, tijolos, madeiras, pedras...

Fogueiras, lenhas, fogões de lenha...

Decorações, instalações elétricas, encanações (ihiiiiiiii, nem quero lembrar!)...

Será que não canso não???? Hum, como canso! E só estou citando aqui trabalhos braçais pessoais!!

Se todo esse trabalho se concentrasse em um lugar, teria um castelo! Será que tenho ascendentes egípcios??

Agora entendo porque a estimativa de vida antigamente (coloque dígitos neste antigamente!), eram tão baixas... Mesmo estando em pleno século XXI, com milhões de fórmulas (drogas, cirurgias...) para nos parecermos e sentirmos mais jovens, ou somente conservar a idade, a natureza vem com tudo e nos põe no nosso devido e insignificante lugar! Arranque metade do pulmão, se encha de protetor solar, faça quimioterapia, pinte os cabelos, opere os ligamentos, durma em colchão ortopédico, se alimente melhor, tome pílulas (fortificantes, vitaminas, fibras, óleos, beta bloqueadores, pílulas para hipertensão, gotinhas, bolinhas...), mude seu coração... nem adianta!

Alguma forma a natureza há de encontrar para parar essa louca e desmedida “vitalidade”!

Pensem aí! Se o mundo não estivesse desorientado (entendam como mundo, minha “cabeça”, nossa “cabeça”, o sistema...), se não tivéssemos tantos planos, metas, desejos... Vontade de ter, de ser, o que nem temos idéia, acho que viveríamos e envelheceríamos de forma mais digna....

Voltando ao meu “castelo”, com tanto trabalho, talvez não teria um castelo, mas teria uma super-casa, com grandes plantações, com cerca, encanação e tudo nos “trinques!” quiçá uma bela e produtiva fazenda, e estaria na idade de ficar em casa só dando assistência a essas criações e produções todas...

Sim, sei que é um exemplo pessoal, mas de certa forma serve para todos.

Como?

Calcule o tanto de páginas que já escreveu e digitou na vida.

Pense quantas vezes se mudou. Quantas vezes pintou paredes, quadros, desenhos..., cantou, ninou... quebrou, consertou, falou, ou sei lá que “ou”....

É, aqui é onde quero chegar. Com tantos objetivos capitalistas, ou não, consumistas ou não, amorosos ou não, egoístas ou não... Objetivos de forma geral... Se nascêssemos com um único objetivo, conquistaríamos ele (o objetivo) com mais ou menos 30 anos, e viveríamos o resto do tempo mantendo o já conquistado.

Assim sendo, em vez de estar aqui com a enxada em punho, estaria eu curtindo um belo jardim e só molhando minhas plantinhas (trabalho ligth!), e não ficaria me questionando se a porcaria (com o devido perdão da palavra) da minha enxada está mais pesada ou se eu estou ficando velha!

C.

14 de fev. de 2009

hehehe...


...desenho meu, quando tinha 4 anos...

Cama E Mesa

Eu quero ser sua canção
Eu quero ser seu tom
Me esfregar na sua boca
Ser o seu batom...

O sabonete que te alisa
Embaixo do chuveiro
A toalha que desliza
No seu corpo inteiro...

Eu quero ser seu travesseiro
E ter a noite inteira
Pra te beijar durante
O tempo que você dormir
Eu quero ser o sol que entra
No seu quarto adentro
Te acordar devagarinho
Te fazer sorrir...

Quero estar na maciez
Do toque dos seus dedos
E entrar na intimidade
Desses seus segredos
Quero ser a coisa boa
Liberada ou proibida
Tudo em sua vida...

Eu quero que você me dê
O que você quiser
Quero te dar tudo
Que um homem dá
Pra uma mulher
E além de todo esse carinho
Que você me faz
Fico imaginando coisas
Quero sempre mais...

Você é o doce
Que eu mais gosto
Meu café completo
A bebida preferida
O prato predileto
Eu como e bebo do melhor
E não tenho hora certa
De manhã, de tarde
À noite, não faço dieta...

Esse amor que alimenta
Minha fantasia
É meu sonho, minha festa
É minha alegria
A comida mais gostosa
O perfume e a bebida
Tudo em minha vida...

Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...


(Roberto Carlos - Erasmo Carlos)

4 de fev. de 2009

Fifis!!!



Niver da filhota mais linda do mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Texto de Karla Bardanza

"Hoje acordei... Meu bebê que ainda ontem tinha 3.900 kg e 49 cm está da minha altura!
Minha filha cresceu! Está na puberdade... Não é mais uma criança, mas está longe de ser ainda uma mulher.A natureza já deu o seu retoque final e os mistérios são poucos... Meu coração pulou definitivamente para o lado de fora do meu peito.Ou talvez tenha abandonado-me de vez para morar dentro de minha filha.

Olho para o meu bebê-menina-mulher e fico tentando adivinhar o futuro. Ela diz que quer ser arquiteta, policial, advogada, modelo...Ela tem um milhão de sonhos e eu, um milhão de dúvidas. Às vezes fico a devanear: ”Será que ela vai casar?”, ”Quando vai arrumar o primeiro namorado?”, ”Qual será o primeiro emprego?”, ”Será que vai continuar como é?”... São tantos questionamentos... Medos... Receios... Quero tanto que ela seja um ser humano, realmente, HUMANO. Está é minha missão, minha responsabilidade maior...Minha filha é minha melhor poesia, meu mais belo jasmim... É tudo que desejei, que esperei e acalentei.

Ela sofre, fico tão pequena sofrendo junto, ela sorri, minha alma alça vôo. Nunca pensei que amar um filho doesse tanto... Sofro quando ela sofre, morro se ela fracassa, e tudo dói porque ela é minha alma, minha continuação. Dói porque nenhum outro laço é tão maior do que esse, porque ela é minha vida e o meu ar. Antes achava o amor tão simples em seus mistérios, mas depois que ela nasceu, comecei a entender que o amor é um milagre. E não há milagre maior do que gerar um ser, do que ser co-criadora de uma vida.

Olho para ela e entendo que não estou aqui a passeio. Sim, entendo tantas coisas que antes eram sem significado. É, minha filha está crescendo e eu junto com ela. O tempo passou rápido... Às vezes, quando sentamos nós três no sofá: eu entre minha mãe e minha filha sinto que estou entre meu início e o meu fim...Ó Deus...Que beleza! Equilíbrio perfeito, no meu peito essa inabalada verdade: estou em minha filha como minha mãe está em mim. Isso é a vida... Aqui é onde está plantado o meu jardim."

4 de jan. de 2009

33??!! ai, ai, ai....

Quando

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

Pessoa (Álvaro de Campos)

31 de dez. de 2008

26 de dez. de 2008

Gabriel García Márquez

"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver."

20 de dez. de 2008

desenho de Gere


(passado por mim no Photoshop)

19 de dez. de 2008

Quem pergunta o que quer, ouve o que não quer!



Perguntaram a Buda:

"O que mais te surpreende na humanidade?"

E ele respondeu:

"Os homens.
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma, que acabam por não viver o presente e o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido."

15 de dez. de 2008

Einstein


"Há duas maneiras de viver a vida: Uma, é como se nada fosse milagre. A outra, com se tudo fosse milagre."

12 de dez. de 2008

Desenho de Zene

Álvaro de Campos (Pessoa)

Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...

9 de dez. de 2008

O Meu Amor

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

(Chico Buarque)

4 de dez. de 2008

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." (Max Frisch)

2 de dez. de 2008

“A mulher é um efeito deslumbrante da natureza.” (Schopenhauer)

Rango!

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
(Chico Buarque)

1 de dez. de 2008

TUMULTO

”Tempestade... O desgrenhamento
das ramagens... O choro vão
da água triste, do longo vento,
vem morrer-me no coração.

A água triste cai como um sonho,
sonho velho que se esqueceu...
( Quando virás, ó meu tristonho
Poeta, ó doce troveiro meu!...)

E minha alma, sem luz nem tenda,
passa errante, na noite má,`
à procura de quem me entenda
e de quem me consolará...

Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.”
(Cecília Meireles)

Hagar, o horrível!

Você Venceu

Momentos antes de você ser gerado, nove meses antes de nascer, portanto, você tinha a companhia de três bilhões de espermatozóides ao seu lado. Não existe nenhuma regressão que faça com que você se lembre deste primeiríssimo momento da sua existência.
Imagine a cena. Três bilhões de criaturinhas correndo desesperadamente atrás de um único óvulo. E, se você tem uma certeza na vida, é esta: só você chegou lá. Ou seja, você é um vencedor (a). Não sei como foi que eu e você conseguimos esta proeza. Talvez tenhamos atropelado alguns concorrentes, dado cotoveladas em outros. O fato é que estamos aqui. Eu escrevendo e você lendo.
Num corridinha mixa de 100 metros numa olimpíada o sujeito ganha louros, medalhas e dinheiro. E concorre com quantos? Dez, doze pessoas. Mas eu e você corremos contra 2.999.999 (o número pode não ser muito exato, mas é por aí). E chegamos. E o mais trágico: todos eles morreram. Todos. Enfim, nascemos matando metade da população atual do planeta.
Chego a algumas conclusões. A primeira, inapelável, é que nascemos com culpa, meio sem graça, chorando. E já levamos um tapa na bunda para deixarmos de ser metidos e assassinos. Sim, todo mundo ao seu redor, te olhando no berçário, e pensando: e os outros? E os outros?
Por outro lado, deveríamos todo dia abrir a janela, olhar o dia e sorrir, pensando: eu consegui! Eu sou demais! E deveríamos estar feliz com a nossa condição de vencedores. A primeira batalha, a primeira maratona, contra bilhões, a gente venceu, Não bastaria isto para sermos eternamente felizes? Agradecer diariamente a nossa ovular vitória?
Vi no Fantástico de domingo que o terrorista Bin Laden já matou – com seus atentados – perto de cinco mil pessoas. Já o Bush com suas duas guerras, matou perto de 10.000. Quem é mais terrorista?
Talvez se o Bin Laden, quando o pai dele estava fazendo amor com a sua mãe (sim ele deve ter tido uma amada mãe), talvez se ele ficasse em segundo lugar, teríamos mais 4.000 pessoas vivas. E o Bush (com uma honrosa medalha de prata), teria deixado mais de 10 mil pessoas vivendo. Números pequenos, diante dos que eles deixaram para trás ao serem gerados e gelados.
Fiquei pensando nos espermatozóides que deixei para trás num dia qualquer de maio de 1945 (será que foi no dia D?). O que seria de cada um deles, se tivessem passado na minha frente? A única certeza é que teriam nascido no mesmo dia que eu. Poderia até ser uma mulher. Existe espermatozóida?
E, ainda abalado com os atentados na Espanha, penso nos espermatozóides. Já vencemos a nossa principal batalha, já deixamos para trás bilhões de futuros cidadãos. Por que queremos matar mais e mais e mais? Será que não basta ao homem ter vencido a sua principal corrida, a guerra do nascimento? Não deveríamos todos viver apenas para comemorar que conseguimos nascer, sãos e salvos, sem usar nenhum míssil, nenhuma granada? Ganhamos uma guerra jogando limpo. Apenas, sei lá como, fomos mais espertos e rápidos que os nossos outros companheiros de jornada, coitados (literalmente).
A que óvulo estas pessoas que matam inocentes querem atingir? Uma ogiva? Por que eles não matam a própria mãe que os gerou e deixam o resto do mundo em paz?

É, tem uns espermatozóides por aí que poderiam muito bem não ter chegado lá. Alguma coisa eles aprontaram lá dentro para chegarem na frente. Alguém foi subornado lá dentro. Pena que naquele tempo não tinha câmera para filmar as ações intra-uterinas e nem telefone grampeado.


(Mario Prata)













"Conhecemos um homem pelo seu riso. Se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente." (Dostoievski)

25 de nov. de 2008

21 de nov. de 2008

Nietzsche


“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.”

13 de nov. de 2008

Estrada do Sol

É de manhã
Vem o sol
Mas os pingos da chuva
Que ontem caíram
Ainda estão a brilhar
Ainda estão da dançar
Ao vento alegre
Que me traz esta canção

Quero que você
Me dê a mão
Vamos sair por aí
Sem pensar
No que foi que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nova manhã
Já me fez esquecer
Me dê a mão
Vamos sair pra ver o sol

Dolores Duran / Tom Jobim

12 de nov. de 2008

Vivendo no paraíso!!! 78?! ...um jovem antigo...



Meu pai!

Se Shackespeare estiver certo, quando diz que “(...)há mais dos seus pais em você do que você supunha(...)”, certamente serei uma pessoa incrível!

Símbolo, para mim, de vontade de viver.

Personificação da criatividade, da simplicidade, da retidão, da persistência...

São tantas coisas que aprendi, e aprendo...

Vivendo no Paraíso, aos 78 anos, ensinando, aprendendo, ajudando a todos, em tudo.

Não existe palavras que possam exprimir. Não é mensurável o que você é para mim.

Meu pai!!! Te amo!

11 de nov. de 2008

Dostoievski

"Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas."

4 de nov. de 2008

3 de nov. de 2008

Cecília Meireles

Nem tudo é fácil

”É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!”
(Cecília Meireles)

2 de nov. de 2008

Rango!

Chega De Mágoa

Nós não vamos nos dispersar
Juntos, é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão...

Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
Chega, brinca na fonte
Desce do monte, vem como amiga

Te quero água de beber
Um copo d'água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã

Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
Chama, tem que ter feira
Tem que ter festa, vamos pra vida

Te quero terra pra plantar, ah
Te quero verde
Te quero casa pra morar, ah
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã

Chega de mágoa
Chega de tanto penar

Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente, olha essa gente
Olha essa gente, olha essa gente

Te quero água de beber
Um copo d'água
Marola mansa da maré
Mulher amada

Te quero terra pra plantar
Te quero verde, hum
Te quero casa pra morar
Te quero rede

Depois da chuva o Sol da manhã
Canto (eu canto) e o nosso canto
Joga no tempo (joga no tempo) uma semente
Gente (quero te ver crescer bonita)
Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)
Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)
Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz)
Te quero água de beber (me dê um copo)
Um copo d'água
Marola mansa da maré
Mulher amada (mulher amada)
Te quero terra pra plantar (plantar)
Te quero verde (te quer verde)
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Ah!

1 de nov. de 2008

Caçada

Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem

Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca

Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor

Hoje é o dia da graça,
hoje é o dia da caça e do caçador

Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça

E num mesmo impulso me expulsa e abraça
Nossas peles grudando de suor

Hoje é o dia da graça,
hoje é o dia da caça e do caçador

De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pelo

Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor

Hoje é o dia da graça,
hoje é o dia da caça e do caçador

(Chico Buarque)

Hagar, o horrível!

PANORAMA ALÉM

”Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.

Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...

Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.

Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?”

(Cecília Meireles)

30 de out. de 2008

Serra do Sincorá!


...janela natural...

22 de out. de 2008

Olhe para o ponto e vá para frente e para trás lentamente... hehehe

Jung

"Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é."

21 de out. de 2008

Panoramix

Pinkola

"Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas."

20 de out. de 2008

Como Dois Animais

Uma moça bonita
De olhar agateado
Deixou em pedaços
Meu coração
Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão...

Foi mistério e segredo
E muito mais
Foi divino brinquedo
E muito mais
Se amar como
Dois animais...

Meu olhar vagabundo
De cachorro vadio
Olhava a pintada
E ela estava no cio
E era um cão vagabundo
E uma onça pintada
Se amando na praça
Como os animais...

19 de out. de 2008

TERRA... TERRA...

Carl Sagan - Pálido Ponto Azul

"(...) Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)"

17 de out. de 2008

Clarissa Pinkola

"Esse corpo criado pelo canto é prático sob todos os aspectos. Não se trata dos pedaços e partes de carne feminina idolatrados por alguns em algumas culturas; mas, sim, um corpo inteiro de mulher, que pode amamentar, fazer amor, dançar e cantar, dar à luz e sangrar sem morrer."

13 de out. de 2008

Rango!

Apesar De Você

Amanhã vai ser outro día

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Chico Buarque)

1 de out. de 2008

Jura Secreta

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofrí

(Fagner)

25 de set. de 2008

Pessoa

Árvore verde

Árvore verde,
Meu pensamento
Em ti se perde.
Ver é dormir
Neste momento.
Que bom não ser
'Stando acordado !
Também em mim enverdecer
Em folhas dado !

Tremulamente
Sentir no corpo
Brisa na alma !
Não ser quem sente,
Mas tem a calma.

Eu tinha um sonho
Que me encantava.
Se a manhã vinha,
Como eu a odiava !

Volvia a noite,
E o sonho a mim.
Era o meu lar,
Minha alma afim.

Depois perdi-o.
Lembro ? Quem dera !
Se eu nunca soube
O que ele era.

24 de set. de 2008

Amar é; quem lembra??! hehehe...

Lispector já!!

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

23 de set. de 2008

Aquarius

When the moon is in the seventh house
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars.
This is the dawning of the age of Aquarius,
The age of Aquarius
Aquarius
Aquarius

Harmony and understanding,
Sympathy and trust abounding,
No more falsehoods or derisions,
Golden living dreams of visions,
Mystic crystal reve-lation,
And the mind´s true liberation.
Aquarius
Aquarius

When the moon is in the seventh house
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars.
This is the dawning of the age of Aquarius,
The age of Aquarius
Aquarius
Aquarius
Aquarius
Aquarius

22 de set. de 2008

Primavera

Lluvia de sol
Como Una Bendicion
La vida renace con su luz
La primavera ya llego

Todo es asi
Regreso a la raiz
Tiempo de inquieta juventud
En primavera ya

La tierra negra se vuelve verde
Y las montanas y el desierto
Un bello jardin

Como la semilla
Lleva nueva vida
Hay en esta primavera una nueva era

En el aire de este nuevo universo
Hoy se respira libertad
En primavera ya

La tierra negra se vuelve verde
Y las montanas y el desierto
Un bello jardin

Como la semilla
Leeva nueva vida
Hay en esta primavera una nueva era

Helena Parente

O Barraco

A casa erguida na encosta, os flancos nus,
barraco à beira do barranco.
O tempo era um pedaço de chuva.
Depois, foram os bocados de água, até fazer uma chuva inteira.
O barraco era a casa.
E a mulher nele/nela estava...

18 de set. de 2008

15 de set. de 2008